Minimalismo digital, saúde mental e consequências psicossociais frente às tecnologias de subjetivação

Autores

DOI:

https://doi.org/10.14571/brajets.v18.n4.1257-1271

Palavras-chave:

Minimalismo digital, Sa´úde mental, Prejuízos psicossociais, Tecnologias de subjetivação

Resumo

A nível global, muitas pessoas passam horas do dia em frente a telas, conectadas à internet, usufruindo de diferentes plataformas e aplicativos, tidas como tecnologias de subjetivação, com finalidades distintas: seja para estudar, se informar, trabalhar, se divertir/distrair, monetizar. O objetivo deste estudo é problematizar e trazer reflexões sobre os impactos psicossociais que as tecnologias de subjetivação têm sobre os sujeitos na contemporaneidade, propondo a alternativa do minimalismo digital enquanto estratégia para promover a saúde mental. Metodologicamente, utilizamos a estrutura de ensaio teórico, embasado em leituras e interpretações por meio de manuscritos acadêmicos físicos e eletrônicos. Levantamos informações para a obtenção de uma visão abrangente e aprofundada sobre o tema proposto, possibilitando tanto a leitura crítico-reflexiva dos materiais selecionados, quanto à avaliação de diferentes perspectivas e o desenvolvimento de uma compreensão mais sólida e informada com o intuito de preencher as lacunas teórico-práticas que constituem o tema, somados às nossas expertises e saberes sobre minimalismo digital, saúde mental e consequências psicossociais frente às tecnologias de subjetivação. Como resultado das nossas contribuições enquanto ensaístas, apontamos o minimalismo digital como uma estratégia de lidar com as consequências do uso excessivo das tecnologias de subjetivação. O acesso, compreensão e interpretação dos materiais selecionados, juntamente com nossa apropriação teórico-cultural, nos permitiram a realizar encaminhamentos de reflexão e ação nas quais o minimalismo pode trazer benefícios psicossociais em prol da saúde mental, a nível individual, bem como outros impactos das tecnologias de subjetivação na saúde mental, princípios, práticas do minimalismo digital. Concluímos que políticas públicas, criação e manutenção de mobilizações coletivas são imprescindíveis para avanços sociais, bem como estudos futuros sobre o aprimoramento do minimalismo digital que supere as limitações individuais, ampliando para ações coletivas, tanto para prevenção de prejuízos psicossociais quanto para promoção de saúde mental.

Biografia do Autor

  • Ronaldo Gomes-Souza, Universidade Federal do Amazonas

    Doutorado em Psicologia Social, do Trabalho e das Organizações pela Universidade de Brasília (UnB), com pós-doutorado na Universidade de São Paulo (USP). É professor, pesquisador e extensionista na Universidade Federal do Amazonas (UFAM), lotado na Faculdade de Psicologia e credenciado enquanto professor permanente no Programa de Pós-graduação em Psicologia. É um dos coordenadores do Laboratório de Psicologia, Trabalho e Saúde (LAPSIC); membro do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes) e psicólogo do trabalho na Comissão de Prevenção e Combate ao Assédio Moral no Trabalho (CECAM) da UFAM.

  • Larissa Araújo Bacelar Nemer , Universidade Federal do Amazonas

    Estudante de graduação em Psicologia pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), com atuação no Laboratório de Psicologia Experimental, Neurociências e Comportamento (LAPENEC-UFAM). Desenvolve pesquisa de Iniciação Científica (PIBIC), investigando processos de aprendizagem sob a perspectiva comportamental.

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Publicado

28-12-2025

Edição

Seção

Artigo

Como Citar

Gomes-Souza, R. ., & Araújo Bacelar Nemer , L. (2025). Minimalismo digital, saúde mental e consequências psicossociais frente às tecnologias de subjetivação. Cadernos De Educação, Tecnologia E Sociedade, 18(4), 1257-1271. https://doi.org/10.14571/brajets.v18.n4.1257-1271