Além da prescrição do trabalho: atividade do psicólogo no serviço de saúde mental
DOI:
https://doi.org/10.14571/brajets.v18.n4.1325-1337Palavras-chave:
CAPSi, saúde do trabalhador, Clínica da AtividadeResumo
Este artigo tem por objetivo compreender a atividade do psicólogo, suas atribuições e prescrições, impeditivos e desenvolvimento, em um Centro de Atenção Psicossocial Infantil (CAPSi) de cidade no interior do estado da Paraíba. Trata-se de pesquisa de campo, de abordagem qualitativa, com uso da técnica de Instrução ao Sósia, baseada no referencial teórico da Clínica da Atividade. Os resultados mostram que os psicólogos enfrentam uma organização do trabalho com contingências e variabilidades que incluem desde as demandas dos usuários até aquelas de ordem técnica e material, tendo que inventar, criar modos de lidar e resolvê-las, na prática. Diante dos constrangimentos da atividade, os profissionais buscam o tempo todo fazer o trabalho bem-feito. Os seis participantes da pesquisa possuem vínculos temporários com o serviço, precarizando as relações de trabalho e compromete a estabilidade financeira dos trabalhadores, trazendo sentimentos como insegurança, desmotivação, desesperança e frustração. Conclui-se que a sensação de frustração de poder de agir, diante da complexidade do serviço, faz com que os psicólogos que participaram desta pesquisa duvidem se querem permanecer nessa atividade por muito tempo, entretanto, não diminuem seu empenho na atividade buscando uma gestão emancipatória para si e para os usuários.
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