Em busca de uma educação feminista e contracolonial

relatos da disciplina Tecnologia, Trabalho, Saúde e Cuidado

Autores

DOI:

https://doi.org/10.14571/brajets.v19.n1.94-111

Palavras-chave:

Educacao feminista, Educacao contracolonial, Tecnologia, Trabalho, Cuidado

Resumo

Em busca de abordagens feministas e contracoloniais no campo dos estudos críticos sobre
tecnologia e trabalho, criamos a disciplina de graduação de título Tecnologia, Trabalho, Saúde e
Cuidado, ofertada pelo Núcleo Interdisciplinar para o Desenvolvimento Social (NIDES/UFRJ). Os
conceitos de saúde e cuidado, quando colocados em diálogo com os outros dois conceitos que dão
nome a disciplina, permitiram essa clivagem para além da crítica. Neste artigo apresentamos a origem
da disciplina, seu programa de estudos e alguns dos resultados que vimos alcançando a partir de sua
oferta para estudantes da UFRJ, especialmente dos cursos de engenharia. Verificamos que a
experiência da disciplina permitiu às estudantes recriar imaginários sobre tecnologia e trabalho e
repensar suas relações com a saúde e o cuidado, em busca de um mundo onde se possa viver melhor.
Destacamos que a experiência da disciplina tem promovido ainda transbordamentos em nossas
práticas de pesquisa e extensão, reforçando a indissociabilidade entre essas três dimensões do fazer
acadêmico.

Biografia do Autor

  • Fernanda Santos Araujo, Universidade Federal do Rio de Janeiro

    Sou professora do Núcleo Interdisciplinar para o Desenvolvimento Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (NIDES/UFRJ) desde 2020. Me formei em Engenharia de Produção, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, fiz mestrado e doutorado também em Engenharia de Produção, respectivamente, na COPPE/UFRJ e no PEP/UFF.

     

    Participa de uma diversidade de ações de ensino, pesquisa e, especialmente, de extensão pelo Núcleo de Solidariedade Técnica (SOLTEC/NIDES) desde 2006.

     

    Faço parte da Rede de Engenharia Popular Oswaldo Sevá (Repos).

     

    Trabalhei um bom tempo em diálogo com as Empresas Recuperadas por Trabalhadores no Brasil e no mundo. Tenho como principal campo de pesquisa os Estudos sobre o Trabalho, dialogando com os seguintes temas: ergonomia, organização do trabalho, autogestão, economia solidária e tecnologias sociais.

     

    Sou mãe do Samuel e da Sol. Desde que me tornei mãe a temática do cuidado vem permeando minha trajetória de estudos e atuação como engenheira. A partir dessa experiência, venho buscando tecer conexões entre os temas de Tecnologia, Trabalho e Cuidado.

  • Ana Lilyan de Lima dos Santos, Universidade Federal do Rio de Janeiro

    Graduanda em psicologia na UFRJ

  • Emilly Patrícia Vaz Ribeiro Marinho, Universidade Federal do Rio de Janeiro

    Graduanda em engenharia ambiental na UFRJ

  • Larissa Gomes Fernandes da Costa, Universidade Federal do Rio de Janeiro

    Graduanda em psicologia na UFRJ

Referências

Bagattolli, Carolina. (2023). 1° Simpósio Brasileiro de Ensino, Pesquisa e Extensão em Tecnologia Social. Canal NIDES UFRJ no YouTube, 21 de set. 2023. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=U3NGNOPmVNk. Acessado em 25/03/2025.

Bayerl, Ester Oliveira. (2025). A Lavanderia Comunitária do Morro do Borel e o debate sobre racismo ambiental e lutas comunitárias em contextos urbanos. Dissertação (Mestrado em Tecnologia para o Desenvolvimento Social) - Universidade Federal do Rio de Janeiro, Núcleo Interdisciplinar para o Desenvolvimento Social. Rio de Janeiro.

Benjamin, Ruha. (2022). Women, Race, and Technology: 2nd IEA Inter-chair Meeting. Canal Instituto de Estudos Avançados da USP no Youtube, 14 de jul. de 2022. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=oCHMG0XIHrE. Acessado em 25/03/2025.

Brito, Jussara; Neves, Mary; Athayde, Milton. (2003). Cadernos de textos: programa de formação em saúde, gênero e trabalho nas escolas. TEXTO 1: Saúde, cadê você? Cadê você? João Pessoa: Editora Universitária/UFPB.

Carrasco, Cristina. (2004). Por uma economia não androcêntrica: debates e propostas a partir da economia feminista. In: Silveira, Maria Lucia; Tito, Neuza (Orgs.). Trabalho doméstico e de cuidados – por outro paradigma de sustentabilidade da vida humana. São Paulo: Sempreviva Organização Feminista (SOF).

Dagnino, Renato. (2014). Tecnologia Social: contribuições conceituais e metodológicas. Campina Grande: EDUEPB.

Davis, Angela. (2016). Mulheres, Raça e Classe. São Paulo: Boitempo.

Evaristo, Conceição. (2017). Poemas da recordação e outros movimentos. Rio de Janeiro: Malê.

Federci, Silvia. (2019). O Ponto Zero da Revolução. São Paulo: Editora Elefante.

Hirata, Helena; Kergoat, Daniele. (2007). Novas configurações da divisão sexual do trabalho. Cadernos de Pesquisa, vol.37, n.132, pp.595-609, set/dez.

hooks, bell. (2017). Ensinando a transgredir: a educação como prática da liberdade. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes.

hooks, bell. (2020). Ensinando pensamento crítico: sabedoria prática. São Paulo: Elefante.

Kilomba, Grada. (2019). Memórias de Plantação: episódios de racismo cotidiano. Rio de Janeiro: Cabogó.

Le Guin, Ursula K. (2021). A teoria da bolsa de ficção. São Paulo: N-1.

Lugones, Maria. (2014). Rumo a um feminismo descolonial. Revista Estudos Feministas, v. 22, n. 3.

Lume, Vaga. (2019). Histórias Para Ninar Gente Grande. Samba-Enredo.

Novaes, Henrique; Dias, Rafael. (2010). Construção do marco analítico conceitual da Tecnologia Social. In: Tecnologia social: ferramenta para construir outra sociedade. Campinas, SP: Komedi.

Nunes, Aman Azevedo. (2024). TECNOLOGIA PARA ALÉM DO QUE SE VÊ: Construindo um novo paradigma tecnológico a partir da Serra da Misericórdia (RJ). Dissertação (Mestrado em Tecnologia para o Desenvolvimento Social) - Universidade Federal do Rio de Janeiro, Núcleo Interdisciplinar para o Desenvolvimento Social. Rio de Janeiro.

Rolnik, Sueli. (2022). Psicanalistas que Falam – Episódio #8. Canal Psicanalistas que Falam no Youtube, 12 de mar. de 2022. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=y0SDyvf71kc. Acessado em 25/03/2025.

Shiva, Vandana. (2013). As mulheres e a construção do novo mundo. Canal Fronteiras do Pensamento no Youtube, 3 de set. de 2013. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=XcKx-uE4xrw. Acessado em 25/03/2025.

Tronto, Joan. (2007). Assistência democrática e democracias assistenciais. Sociedade e Estado, v. 22., n. 2.

Vasconcellos, Bruna. (2017). Politizando o cuidar: as mulheres do Sul na construção de alternativas sociotécnicas. Tese (Doutorado em Política Científica e Tecnológica) – Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Geociências. Campinas, São Paulo.

Vergès, Françoise. (2020). Um feminismos decolonial. São Paulo: Ubu Editora.

Veríssimo, Elena Y. J. (2024) MÃES À OBRA E OS MUROS DA UNIVERSIDADE: histórias e reflexões sobre educação popular e ensino na engenharia. Dissertação (Mestrado em Tecnologia para o Desenvolvimento Social) - Universidade Federal do Rio de Janeiro, Núcleo Interdisciplinar para o Desenvolvimento Social. Rio de Janeiro.

Downloads

Publicado

28-03-2026

Edição

Seção

Artigo

Como Citar

Santos Araujo, F., de Lima dos Santos, A. L., Ribeiro Marinho, E. P. V., & Fernandes da Costa, L. G. (2026). Em busca de uma educação feminista e contracolonial: relatos da disciplina Tecnologia, Trabalho, Saúde e Cuidado. Cadernos De Educação, Tecnologia E Sociedade, 19(1), 94-111. https://doi.org/10.14571/brajets.v19.n1.94-111