Servidores públicos idosos e negros no contexto do poder executivo federal

Autores

DOI:

https://doi.org/10.14571/brajets.v18.n4.1523-1540

Palavras-chave:

pessoa idosa, racismo, etarismo, ambiente de trabalho, administração pública

Resumo

Pretos e pardos representam 36% do total de servidores públicos federais. Aproximadamente 22% desses profissionais têm entre 51 e 60 anos e 12,57% têm mais de 60 anos. A despeito desses e de outros dados, pouco se sabe sobre agentes públicos idosos negros. Tendo isso em vista, este estudo analisou as características de servidores públicos idosos negros e suas vivências no Poder Executivo Federal. Para tanto, conduziu-se um estudo transversal, quantitativo e descritivo, em que participaram, por meio de questionário, 160 servidores públicos federais ativos, com 60 anos ou mais, que se autodeclaram pretos ou pardos. Trata-se de uma amostra de agentes públicos bem escolarizados e remunerados, que sentem orgulho de serem servidores públicos e se consideram realizados profissionalmente. Contudo, acreditam não possuir as mesmas oportunidades de crescimento profissional que servidores brancos e/ou mais jovens. Além disso, a maior parte acredita existir racismo e etarismo no Executivo Federal, sendo que 38% relataram ter sofrido preconceito etário e 68% de cor/raça no ambiente profissional. Os resultados deste estudo fornecem aos gestores públicos dados importantes que contribuem para o aperfeiçoamento do planejamento estratégico do funcionalismo público e, por conseguinte, das condições de trabalho oferecidas a esses profissionais.

Biografia do Autor

  • Sílvia Maria Barros, Universidade Católica de Brasília (UCB)

    Jornalista. Mestre em Direitos Humanos, Cidadania e Violência pelo Centro Universitário UniEuro e Doutoranda em Gerontologia pela Universidade Católica de Brasília (UCB). É servidora pública federal da Agência Espacial Brasileira (AEB), com atuação no Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI).

  • Eduarda Rezende Freitas Eduarda Rezende Freitas, Universidade Católica de Brasília (UCB)

    Psicóloga. Mestre e Doutora em Psicologia pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Realizou Doutorado Sanduíche na Universidade de Coimbra, Portugal. É professora dos Programas de Pós-Graduação em Gerontologia e Psicologia da Universidade Católica de Brasília. Participa de pesquisas nas seguintes áreas: Gerontologia, Psicologia Positiva e Terapia Cognitivo-comportamental.

Referências

Agência Senado. (2023). Lei determina inclusão de dados sobre raça em documentos trabalhistas. https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2023/04/24/lei-determina-inclusao-de-dados-sobre-raca-em-documentos-trabalhistas

Almeida, S. L. (2019). Racismo estrutural. Editora Jandaíra.

Alves, L. D. (2022). A divisão racial do trabalho como um ordenamento do racismo estrutural. Revista Katálysis, 25, 212–221.

Antunes, M. C. P., & Abreu, V. R. M. (2017). As novas tecnologias na promoção do envelhecimento bem-sucedido.

Banco Mundial. (2019). Gestão de pessoas e folha de pagamentos nos setores públicos brasileiro: o que os dados dizem. https://documents1.worldbank.org/curated/en/449951570645821631/pdf/Gest%c3%a3o-de-Pessoas-e-Folha-de-Pagamentos-no-Setor-P%c3%BAblico-Brasileiro-o-Que-Os-Dados-Dizem.pdf

Barros, D. S. (2018). Escolaridade e distribuição de renda entre os empregados na economia brasileira: Uma análise comparativa dos setores público e privado dos anos 2001 e 2013. Revista de Economia Contemporânea, 21.

Barros, S. C. V., & Mourão, L. (2018). Panorama da participação feminina na educação superior, no mercado de trabalho e na sociedade. Psicologia & Sociedade, 30.

Borkovski, A. (2021). Oportunidades de aprendizagem na licença para capacitação: A percepção dos servidores técnico-administrativos em educação (STAE) da UFFS. Campus Cerro Largo.

Brasil. (1988/2016). Constituição da República Federativa do Brasil. Senado Federal. https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/518231/CF88_Livro_EC91_2016.pdf

Brasil. (2023a). Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos. Painel de Raio X da Administração Pública Federal. https://raiox.economia.gov.br/?=

Brasil. (2023b). Palácio do Planalto. Governo determina reserva de 30% de cargos de confiança para pessoas negras. https://www.gov.br/planalto/pt-br/acompanhe-o-planalto/noticias/2023/03/governo-determina-reserva-de-30-de-cargos-de-confianca-para-pessoas-negras

Bulla, L. C., & Kaefer, C. O. (2003). Trabalho e aposentadoria: As repercussões sociais na vida do idoso aposentado. Textos & Contextos (Online).

Butler, R. N. (1969). Ageism: Another form of bigotry. The Gerontologist, 9(4), 243–246.

Cohen, J. (1988). Statistical power analysis for the behavioral sciences (2nd ed.). Erlbaum.

Conceição, E. B. (2009). A negação da raça nos estudos organizacionais. Anais do Encontro Nacional da ANPAD.

Costa, I. P., et al. (2018). Qualidade de vida de idosos e sua relação com o trabalho. Revista Gaúcha de Enfermagem, 39, e2017-0213.

Dadalto, L., Mascarenha, I. L., & Matos, A. C. H. (2020). Salvem também os idosos: Etarismo e a alocação de recursos na realidade brasileira de combate à COVID. Civilística.com, 9(2), 1–19.

Daflon, V., et al. (2014). Tão longe, tão perto: Pretos e pardos e o enigma racial brasileiro.

Damman, M., et al. (2015). Missing work after retirement: The role of life histories in the retirement adjustment process. The Gerontologist.

De Alcantara Savazzoni, S. (2015). Preconceito, racismo e discriminação. Revista do Curso de Direito, 12(12), 39–75.

De Jesus Oliveira, D., et al. (2023). O racismo institucional no mercado de trabalho: Uma análise do etarismo nas empresas calçadistas de Nova Serrana. Research, Society and Development, 12(8).

Derrosso, G., & Oliveira, M. (2018). A inserção de idosos no mercado de trabalho de Foz do Iguaçu. Revista Ciências Humanas, 11(1).

Earl, J. K., et al. (2015). A matter of time: Why some people plan for retirement and others do not. Work, Aging and Retirement.

França, L. H. P. F., & Garcia, T. M. (2022). Ageismo nas organizações: A representação negativa do trabalhador mais velho. Atena.

Freitas, S. R. (2008). Teletrabalho na administração pública federal: Uma análise do potencial de implantação na diretoria de marcas do INPI [Tese de doutorado].

Figueira, D. A. M., et al. (2017). A tomada de decisão da aposentadoria influenciada pelas relações familiares e laborais. Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia.

Guimarães, A. S. A. (2007). Racismo e antirracismo no Brasil. Revista Estudos Avançados, 18(50), 11–30.

Hanashiro, D. M. M., & Pereira, M. F. M. W. M. (2020). O etarismo no local de trabalho: Evidências de práticas de “saneamento” de trabalhadores mais velhos. Revista Gestão Organizacional, 13(2), 188–206.

Hita, M. G. (2005). Geração, raça e gênero em casas matriarcais. In A. B. Motta, E. L. Azevedo, & M. Q. C. Gomes (Orgs.), Reparando a falta: Dinâmica de gênero em perspectiva geracional. Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher – NEIM.

IBGE. (2018). IBGE mostra as cores da desigualdade. Agência IBGE Notícias. https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/21206-ibge-mostra-as-cores-da-desigualdade

IBGE. (2018). Número de idosos cresce 18% em 5 anos e ultrapassa 30 milhões em 2017. Agência IBGE Notícias.

IBGE. (2022). População cresce, mas número de pessoas com menos de 30 anos cai 5,4% de 2012 a 2021. Agência IBGE Notícias.

IPEA. (2021a). Perfil racial do serviço civil ativo do executivo federal (1999–2020). Nota Técnica, 49.

IPEA. (2021b). Cor ou raça do serviço civil ativo do executivo federal (1999–2020). Nota Técnica preliminar.

Loth, G. B., & Silveira, N. (2014). Etarismo nas organizações: Um estudo dos estereótipos em trabalhadores envelhecentes. Revista de Ciências da Administração, 16(39), 65–82.

Marcondes, M. M., et al. (2013). Dossiê mulheres negras: Retrato das condições de vida das mulheres negras no Brasil. Ipea.

Nelson, L. C. N. (2011). Capacitação e afastamento de servidores públicos da União: Distinção e aplicação combinada dos institutos jurídicos existentes. Segurança Pública & Cidadania, 4(1), 35–72.

Neri, A. L. (2001). Velhice e qualidade de vida na mulher. In A. L. Neri (Org.), Desenvolvimento e envelhecimento: Perspectivas biológicas, psicológicas e sociológicas (pp. xx–xx). Papirus.

Neri, A. L. (2002). Envelhecer bem no trabalho: Possibilidades individuais, organizacionais e sociais. Terceira Idade.

Palmore, E. (1999). Ageism: Negative and positive (2nd ed.). Springer.

Paolini, K. S. (2016). Desafios da inclusão do idoso no mercado de trabalho. Revista Brasileira de Medicina do Trabalho, 14(2), 177–182.

Praser, A. L. (2023). Pacto da ONU quer alcançar 50% de negros em posições de liderança. Agência Brasil.

Ranzini, M. de S., & Bryan, N. A. P. (2017). Capacitação e formação para o setor público e os modelos de escola de governo no Brasil. Revista do Serviço Público, 68(2).

Rasheed, M. I., et al. (2020). Career adaptability and employee turnover intentions: The role of perceived career opportunities and orientation to happiness in the hospitality industry. Journal of Hospitality and Tourism Management.

Richardson, J. T. E. (2011). Eta squared and partial eta squared as measures of effect size in educational research. Educational Research Review, 6(2), 135–147.

Rosa, M. J. V. (2020). Envelhecimento demográfico em fase de COVID-19. Revista da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna.

Rovida, M. F. (2016). Trabalho e identidade social: Implicações nas pesquisas de comunicação. Revista Alterjor.

Santos, C. C. R., & Scopinho, R. A. (2011). Fora do jogo? Jovens negros no mercado de trabalho. Arquivos Brasileiros de Psicologia.

Santos, C. C. R., & Guimarães, G. G. de J. (s.d.). O preconceito racial dentro das multinacionais como impeditivo de crescimento profissional aos negros no Brasil.

Santos, M. P. A., et al. (2020). População negra e Covid-19: Reflexões sobre racismo e saúde. Estudos Avançados, 34(99), 225–244.

Sawilowsky, S. S. (2009). New effect size rules of thumb. Journal of Modern Applied Statistical Methods, 8(2), 597–599.

Silva, A. R. A., et al. (2020). A capacitação dos servidores na Administração Pública Federal. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento, 5(2), 31–38.

Silva, T. D., & Silva, J. M. (2014). Reserva de vagas para negros em concursos públicos: Uma análise a partir do Projeto de Lei 6.738/2013. Nota Técnica, 17, 1–27. Ipea.

Teixeira, R. M., & Andrade, V. L. P. (2019). O idoso na busca por um lugar no mercado de trabalho. Cadernos de Psicologia.

Veras, R. P., & Oliveira, M. (2018). Envelhecer no Brasil: A construção de um modelo de cuidado. Ciência & Saúde Coletiva, 23, 1929–1936.

Vinuto, J. (2014). A amostragem em bola de neve na pesquisa qualitativa: Um debate em aberto. Temáticas, 22(44), 203–220.

Downloads

Publicado

28-12-2025

Edição

Seção

Artigo

Como Citar

Maria Barros, S., & Eduarda Rezende Freitas, E. R. F. (2025). Servidores públicos idosos e negros no contexto do poder executivo federal. Cadernos De Educação, Tecnologia E Sociedade, 18(4), 1523-1540. https://doi.org/10.14571/brajets.v18.n4.1523-1540